O Brasil vive um momento em que já não falta apenas direção. Falta, antes de tudo, um objetivo. Quando um país deixa de saber para onde quer ir, qualquer caminho passa a parecer suficiente, e é justamente aí que começa a estagnação.
Vivemos um déjà vu. Um déjà vu na política. Um déjà vu no esporte. Um déjà vu nos discursos, nas promessas e nas mesmas figuras ocupando o centro do debate nacional. Enquanto isso, os sonhos de quem pensa no futuro, deseja prosperar e acredita no potencial do Brasil ficam paralisados.
Ao longo da nossa história, diferentes governos apresentaram propostas que fizeram sentido para suas respectivas épocas. Algumas produziram avanços, outras trouxeram retrocessos. Isso faz parte da democracia. O problema é quando um país deixa de discutir ideias e passa a depender sempre das mesmas pessoas, como se apenas elas fossem capazes de conduzir seu destino.
O Brasil parece ter escolhido o velho ditado: é melhor um passarinho na mão do que dois voando. Mas talvez, se tivéssemos permitido que mais passarinhos voassem, o céu brasileiro hoje fosse muito maior.
O problema de manter um passarinho preso é que, com o tempo, ele esquece como voar. Perde a liberdade, perde a confiança e passa a acreditar que a gaiola é o único lugar possível. O mesmo pode acontecer com uma sociedade que deixa de acreditar na renovação.
Estamos diante de uma das eleições mais importantes da nossa história recente. Não apenas pelos nomes que estarão nas urnas, mas pelo que ela representa. A verdadeira escolha não é apenas entre candidatos. É entre continuar repetindo o passado ou construir um novo futuro.
Enquanto a polarização entre direita e esquerda domina praticamente todo o debate público, sobra pouco espaço para discutir projetos, planejamento, educação, produtividade, inovação e crescimento. O debate político se torna uma disputa de torcidas, quando deveria ser uma disputa de propostas.
Muitos brasileiros já perderam a esperança. Alguns escolhem votar em branco ou anular o voto por acreditarem que nada mudará. Outros permanecem depositando confiança nas mesmas lideranças de sempre. Talvez seja a esperança do passarinho na mão: uma esperança que oferece a sensação de segurança, mas que pouco muda a realidade.
A vida ensina que nenhum grande resultado acontece sem transformação. A pipoca só existe porque o milho enfrentou o calor. A árvore só cresce porque uma semente aceitou deixar de ser apenas uma semente. Todo crescimento exige mudança.
Por isso, talvez seja a hora de reconhecer que o Brasil não enfrenta apenas uma crise política. Enfrenta uma crise de renovação.
Faltam líderes capazes de inspirar. Faltam projetos que olhem para as próximas décadas, e não apenas para a próxima eleição. Faltam pessoas dispostas a unir competência, coragem e visão de futuro.
O Brasil sempre teve potencial. O que falta não é capacidade. Falta acreditar que o futuro pode ser diferente do passado. Porque nenhum país cresce olhando apenas pelo retrovisor. As grandes nações são construídas quando têm coragem de abrir novos caminhos.
Talvez o maior desafio do Brasil em 2026 não seja escolher entre nomes conhecidos. Talvez seja decidir se continuará preso à mesma história ou se finalmente voltará a acreditar que ainda é possível aprender a voar.
Por Carlos Teixeira
Coluna Política
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